Comédia de circo

Quem nunca sentiu o fracasso

Não sabe o que é ser palhaço.

A vida faz-lhe um circo e,

Lá você está todo avexado.

O prato principal de um bando de abobalhados.

Que riam de você, ria você também!

Na vida, rir do próprio mal,

Às vezes, é mal necessário.

O sucesso é meio equilibrista.

Você pode tentar até seguir ele por uma linha,

Mas a vida lhe desvia; outras, empurra.

Quando você cai, é uma tentativa.

Mais uma, duas, três, quatro … infinitas.

Embaixo há uma rede que segura.

Um dia você se segura lá em cima.

Completa a travessia e ganha fama.

Talvez não, e recomece como malabarista.

Pode até resolver ser mesmo palhaço,

Não há nada de errado.

Um sucesso pode começar num grande fracasso.

Autoria: Kéren-Hapuque B. A. Alves

Futuros sonhos

Sonhos são futuros que o inconsciente vê.

Eles podem ou não podem acontecer.

Quem vai saber o que vai ser?

É algo impossível de antever.

Ninguém pode o futuro prever,

Mas todos podem os sonhos ter.

Não cabe a quem sonha escolher,

Se acordará para ver o sonho acontecer.

Também, do futuro não se pode dizer,

Quais os escolhidos para viver.

Autoria: Kéren-Hapuque B. A. Alves

O paciente

Um paciente há muito doente

Resolveu visitar um médico decente.

Na consulta, o médico perguntou: “O que sente?”

Eu sinto mais do que muita gente.

Tudo bem, mas qual o sintoma? Com certeza não é dor de dente…

É saudade no peito latente.

Então…é dor no peito! Você já sentiu um aperto forte no coração?

Claro, quem nunca, por causa de uma paixão.

Não, eu perguntei dor de verdade.

Ah, dor de verdade só a saudade.

Pois bem, não precisa nem de exame.

Doutor, o que eu tenho mata?

Claro! Direto n’alma.

Vai com calma! Depois dessa eu não sinto mais nada.

Excelente! Não está mais doente.

Autoria: Kéren-Hapuque B. A. Alves

Academia da mente

Quem não tem tédio não sonha.

Os sonhos nascem do ócio;

Portanto, é preciso tirar o relógio.

Ver a sombra passar.

Realizar é outro negócio.

Para isso, é preciso arregaçar as mangas.

Não ficar plantado feito um pé de banana.

Porque, a realidade é um exercício.

Autoria: Kéren-Hapuque B. A. Alves

Ode ao silêncio

Silêncio, estou tentando ouvir

O seu som, seu nome, seu sentido;

Mas os gritos estão aqui.

Você se cala;

Então, eu me aproximo, tentando lhe achar.

Silêncio, onde está?

As vozes lhe sufocam,

O pensamento lhe procura,

E você não consegue falar.

Cala-se cada vez mais,

neste profundo silêncio que você é.

O som aumenta,

As vozes se fundem;

Enquanto você grita:

– Silêncio! Estou tentando falar.

Naquele instante, tudo era silêncio.

Autoria: Kéren – Hapuque B. A. Alves

Relicário

Olhai, ó, tempos! Olhai!

Meu pequeno relicário que se enferruja.

Olhai, ó, tempos! Olhai!

As lembranças que nele fulguram.

Parai, ó, tempos! Parai!

Não sejais capataz.

Parai, ó, tempos! Parai!

Não sejais amigo da morte.

Meu pranto escoa a tristeza,

Que em meus olhos vigia.

Desfalece-se a vida, perde-se o amor.

Amei o que era velho;

Sim, coisas antigas amei.

Todas dentro do relicário coloquei.

Autoria: Kéren – Hapuque B. A. Alves

Acróstico

Ser a constante de um amor

Alguém que o tempo nunca apagou

Um sentimento presente ausente

Doloroso no peito ardente

Amparado na memória

De uma aniquilante ausência

Eternizada que desflora

Ser Amada por Um alguém, Desesperadamente Amar, De modo a estar, Estando longe.

Autoria: Kéren-Hapuque B. A. Alves.